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Esta é o jardim comestível localizado na zona 1, ao lado da casa da família. A localização foi escolhida pela sua funcionalidade, pois é um espaço onde muita energia é investida, não por causa da fertilidade da terra. Na verdade, é uma terra com muita matéria mineral, mas com pouca matéria orgânica, então é um desafio criar a fertilidade que as plantas precisam.

É uma horta com uma estrutura permanente. A maioria dos canteiros são elevados e a terra não é cavada ou movida. Para cultivar são utilizados tanto a parte superior do banco quanto os lados. Estes últimos usamos para cultivar plantas que nos ajudam a evitar pragas, como cebola, alho ou alho francês, da família de alium. Cada cama (canteiro) tem uma grande diversidade de plantas, combinando plantas de raízes, folhas, frutas e flores, aproveitando associações favoráveis. Realizamos rotações anuais das culturas para que os nutrientes não se esgotem e para evitar a permanência de pragas. Sempre que possível, seguimos o calendário lunar ao fazer as tarefas do jardim. E estamos em busca permanente de plantas comestíveis permanentes, para que seja cada vez mais um jardim permanente integral.

Chamamos a este jardim comestível de curto prazo porque colocamos plantas com ciclos de vida curtos, plantas que dão frutos no curto prazo como alfaces ou rabanetes, ou cujos frutos são colhidos todos os dias à medida que amadurecem, como feijão verde, tomate ou courgette. Nas hortas de longo prazo, localizados na zona 2, cultivamos plantas de ciclo longo cuja fruta se colhe uma vez no final do período, como abóboras, melões, grão-de-bico, feijão seco ou as batatas doces.

A irrigação é por gota, com um tubo de 16 mm em anel em redor da cama onde se cultiva. As camas são permanentemente cobertas com palha para manter a humidade e proteger as plantas do calor e frio excessivos.

O processo de criação de fertilidade exige muita observação, aprendizagem, confiança e paciência. O nosso objectivo é produzir alimentos da maneira mais respeitosa com os ciclos da própria natureza e com uma intervenção humana mínima.

Por um lado, seguimos os ensinamentos de Emilia Hazelip, uma espanhola que residia em França, a qual adaptou os ensinamentos de Fukuoka ao clima da Europa mediterrânea, criando um método próprio ao qual chamou de agricultura sinérgica. Principalmente, adicionamos matéria orgânica do próprio jardim. Todos os restos das plantas são deixados na própria camapara que se incorporem. Ou seja, em vez de removê-los, levá-los ao compostor para fazer compostagem e levá-lo de volta ao local, economizamos tempo e energia fazendo tudo no mesmo lugar. Este processo pode ser lento, especialmente no verão, porque a matéria orgânica leva tempo para se decompor, dada a falta de humidade e microorganismos no solo. Também realizamos rotações e associação de plantas.

Por outro lado devido ao deficit de fertilidade inicial, decidimos acelerar o processo fazendo composto líquido, seguindo a experiência de Jairo Restrepo no seu livro O ABC da Agricultura Biológica. Também começamos um vermicompostor com minhocas californianas, dos quais obtemos húmus líquidos e sólidos que adicionamos às camas.

Finalmente, a estética é muito importante, mais do que uma horta consideramos que cultivamos um jardim. Por esta razão, as camas têm formas harmónicas. Nos espaços livres predominam as flores ou as aromáticas associados às plantas comestíveis convencionais para criar um espaço fértil e harmonioso.

Até agora, a conclusão que podemos retirar é que no inicio precisamos de criar fertilidade com alguma intervenção humana para ajudar a restaurar o equilíbrio natural do solo em menos anos. Numa fase posterior, a terra estará viva não exigindo matéria orgânica de fora todas as estações, como é frequentemente feito na agricultura, incluindo a agricultura biológica. Se a Terra está em equilíbrio, é capaz de renovar a vida que a habita de maneira autónoma. A horta tem que saber por mesma incrementar a fertilidade, caso contrário não se está a trabalhar com a natureza.

 

 

 

 


Plantando sinergias

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