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Os cultivos de longo termo são cultivos nos quais a colheita se faz no final da temporada, como por exemplo, os feijões secos, as abóboras, a batata doce, etc. São espaços com muito pouca manutenção nos quais não é necessário estar constantemente a intervir.

 

A estrutura destes espaços de cultivo é permanente. Usamos camas ligeiramente elevadas com orientação norte-sul para demarcar a zona de cultivo e também porque na principal horta de longo termo existe tendência para o alagamento nas épocas chuvosas. Actualmente o multching destas espaços de cultivos é efectuado com cartão sem tinta com uma cobertura de palha ou feno cortado. O sistema de rega é de gota com controlador electrónico.

 

Nas hortas de longo termo a proximidade é menor situando-se assim na zona 2. Nesta mesma zona situa-se o bosque comestível, sendo que a tendência será fazer cada vez mais destas hortas um espaço agroflorestal. Para isto, o design desta zona prevê a intensificação da plantação de árvores e arbustos comestíveis no espaço destinado a horta tal como espécies de suporte-sacrificiais (árvores, arbustos e herbáceas de crescimento rápido e fixadoras de nitrogénio), uma integração do bosque comestível com a horta onde se pode explorar as técnicas de Robert Hart (pioneiro dos bosques comestíveis em zonas temperadas) ou Ernst Götsch relacionadas com a agricultura sintrópica ou agrofloresta. Com este método os cultivos horticulas, impulsionados pela inclusão de cada vez mais espécies perenes e nativas, podem beneficiar do chop-and-drop (poda e depósito no solo) dos arbustos e árvores de suporte para incrementar o mulching tal como a integração dos restos das plantas da horta que não se comem, devolvendo assim nutrientes ao solo. As árvores na zona da horta possibilitam, além da criação de espaços abrigados do vento, também a infiltração de água através da sua estrutura reticular tal como o bombeamento de minerais desde as camadas mais profundas do solo para a superfície. Em suma, trata-se dos mesmos princípios do bosque comestível em sí ou da própria natureza, sucessão natural ou sucessão ecológica!

 

Estes processos tendem a produzir modificações positivas no ecossistema, como o aumento da biodiversidade, melhoria da estrutura edáfica, maior retenção de nutrientes no solo, modificações no microclima, como o aumento da humidade relativa, e o favorecimento do ciclo da água.

 

A integração entre árvores e horta não é um assunto novo, tendo pelo contrário uma longa história de sucesso que só tem sido desprezada devido ao advento faustiano da mecanização da agricultura, uma das maiores fraudes da história. Não esquecer, na verdadeira agricultura o cultivo tem que deixar o solo melhor do que o encontrou, em contrário, mesmo na agricultura biológica convencional à base de abonos orgânicos, o que se faz é manter a vida de forma não natural.

 

 


Cuidados de longo termo

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